Abuso em rap-cordelista

A arte sempre foi meu refúgio. A literatura me fez criar um mundo onde eu era capaz de suportar mais 1 dia de abuso sexual. Não escrevo pra me promover, como disse um dos estupradores. Escrevo pra sobreviver. Senão nem estaria mais aqui. Por isso, compartilho com vcs um poema rap-cordelista, um estilo que acabei de inventar. Na minha cabeça a cantoria tá bem legal, num sei daí. Hahah.

“Puta
Vagabunda
Do que mais vão me chamar?

Eu tinha só 6 anos e nenhum amigo pra brincar
Sozinha, em casa, uma amarelinha eu desenhei
Me chamaram 3 vezes
Quer brincar? – Eu perguntei.

Sua mãe não está e eu não tenho pressa
Tenho outra brincadeira mais interessante do que essa.

Vamos ali, no fundo do quintal
Vou te ensinar como faz sexo oral
Ei, não grite, não conte pra ninguém
Senão vou te matar e a sua mãe também.

Ei Juliana, olha só quem está aqui
Seu primo favorito, pode me chamar de Assis
Eu vou te sufocar para não soltar um grito
Daqui, debaixo, eu só ouço o teu sorriso
Francisco, me diz, por que é assim tão mal?
Eu não quero mais brincar de fazer sexo anal.

Olha a pretinha passando, chama ela pra cá
Ela só tem 11 anos e ninguém para ajudar
Toma esse caco de telha, esfrega bem devagar
Em cima da pele preta, pra essa pretura acabar.

Ali no quarto dá vó, minha alma quase gritou
Natália vem me ajudar, tio Odeon me abusou.
Estrangulada eu desmaiei, no chão ele me deixou, disse que eu era preta, por isso me estuprou.

Agora eu quero falar, numa mistura de rap com cordel
De um homem que deveria ser o meu papai do céu.

Toda filha quer um pai para amar
O meu amou tanto que começou a me abusar.

Testículos são bolas boas de se chupar
Vem cá, Juliana, vou te ensinar a brincar.

Família escrota que tenta defender
Só vem falar merda porque não foi com você.
Já não aguento mais tomar medicação, me entupir de remédio pra curar a depressão.

Ei, olha só o que você fez
Se fosse homem mesmo se entregava pra polícia de uma vez.

Até agora não recebi uma ligação
Alô, Juliana, quero te pedir perdão.

Este telefone encontra-se desligado ou fora da área de cobertura.”

Juliana R. S Duarte

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