Kerata, o colecionador de cérebros, não é soft porn

O mais legal da linguagem conotativa, é que ela precisa das experiências de vida do leitor para se completar. O mais genial disso tudo, é que tudo tem uma interpretação diferente, que fala muito mais de quem consome do que de quem produz.

Esta foi minha premissa para escrever o Kerata. Tendo o conceito conotativo como a fechadura por onde se debruçam olhos curiosos, foi que decidi que lá, do outro lado, teria um espelho, e o curioso veria nada mais nada menos do que a si próprio.

Depois, me debrucei sobre os movimentos naturalista e impressionista, sendo este último uma ramificação daquele. Eu queria explorar o real humano, suas patologias, seus desejos, aquilo que não se mostra para ninguém, aquilo que vai além da superficialidade e habita nas profundezas da alma.

O real, tal qual ele é, não pode ter pudores nem preconceitos, apenas libido, pulsão que não se freia. Foi aí que tomei minha terceira escolha sobre o Kerata, o colecionador de cérebros: sua forma de expressão escrita deveria ser: “escrachada”, sem papas na língua, e descrita aos mínimos detalhes.

O quarto momento foi analisar a cultura, ver alguns tabus e perceber que o sexo, que todo mundo gosta e faz, continua sendo algo muito nebuloso. O que para uns é prazeroso, para outros é nojento e pecaminoso. Então decidi trazer algumas formas de desejo, que para aquele que o detém, é completamente normal, e para outros nem tanto. Mas e o leitor, acharia normal? Ele se identificaria melhor com o sexo entre lésbicas? Ou o sexo entre homens gays? O que achariam dos transgêneros? E dos sadomasoquistas? Ou prefeririam o  sexo comum e aceitável entre heterossexuais?

Explorei o sexo, mas não o sexo pelo sexo, mas o sexo de quem o faz e de quem o lê. Incomodaria? Seria ótimo. Ficaria enojado? Seria ótimo. Ficaria excitado? Seria ótimo! Essa é, afinal, a beleza da linguagem da conotativa! Todos o interpretaria de maneiras diferentes, porque cada um é diferente, e assim eu teria o  meu medidor de conservadorismo em nosso país.

Somos uma nação conservadora e hipócrita. Soft porn? No way! Por que a indústria pornográfica se apropria do sexo e dita o que é “normal” e o que é pornô? Por que  somos calibrados desta maneira, categorizando o que não é, ou o que ainda não foi domesticado? Interessante…

Kerata, o colecionador de almas, se aproxima. E com ele, uma nova crítica. Desta vez, o espelho vai refletir nossa política, com muito sangue e crueldade. Kerata, o colecionador de cérebros, foi um ensaio de suspense, muito mais crítico, muito menos suspense. O próximo, vou colocar todas as minhas garrinhas de fora. Aguardem.

 

Juliana R. S. Duarte

 

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